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Podem estar te enganando! Cuidado ao ver algo sobre “inteligência Emocional”.

Foto do escritor: Nelson Polinário
Nelson Polinário
há 14 horas
4 min de leitura

Atualizado: há 26 minutos

Não é só “saber reagir às coisas”, não é só “pensar antes de falar” ou “manter a calma”. E, definitivamente, não é só papo de autoajuda malfeita ou de coach fajuto de internet.

Quando você vê alguém falando de “inteligência emocional” por aí, quase sempre estão usando um rótulo bonito para coisas muito diferentes entre si. E é aí que começa o risco de te enganarem. Então, atenção, são essenciais duas coisas:


Para de se enganar sobre inteligência emocional...
Pare de se deixar enganar.

Primeiro: inteligência emocional, na psicologia, é um estudo supercomplexo, com várias dimensões. Como o próprio nome indica, ela junta dois conceitos que já são difíceis por si só: inteligência e emoção. A formulação mais conhecida do termo surge no início da década de 1990, com dois autores chamados Mayer e Salovey, mas tem suas raízes teóricas em debates sobre inteligência que começaram nos anos 1920 e que seguem sendo realizados em centenas de pesquisas científicas até os dias de hoje.


Dentro da psicologia, existem duas grandes formas de pensar a inteligência emocional. Uma delas tem maior aceitação científica; a outra, bem menor. E adivinha qual ficou mais famosa nos livros de autoajuda, nas empresas e nos cursos de desenvolvimento pessoal? Pois é... Justamente a que é menos aceita pela ciência psicológica.


Então, se você não souber pelo menos o básico, te enganarem se torna fácil. Sendo assim, as ideias que são as mais aceitas sobre inteligência emocional são chamadas de “Modelo de Habilidade”.

 


MODELO DE HABILIDADE


Este é o modelo considerado mais “puro”, científico, e alinhado aos critérios clássicos de uma inteligência. A base teórica vem dos autores Mayer, Salovey e Caruso, os quais defendem que a Inteligência emocional é uma habilidade mental semelhante às inteligências tradicionais. É aí que entra um entendimento crucial: saber os critérios que definem a inteligência emocional como inteligência.


  • Critério 01 - Conceitual: Inteligência emocional deve refletir performance mental, não traços de personalidade, autoestima ou comportamento → o que pode ser medida por testes de desempenho;

  • Critério 02 - Correlacional: As habilidades emocionais devem se correlacionar com outras habilidades mentais, mas ainda serem distintas. → Inteligência Emocional é relacionada, mas não igual ao QI – Quoeficiente de Inteligência;

  • Critério 03 - Desenvolvimental: A inteligência emocional deve aumentar com a idade e experiência, como outras inteligências.


A partir disso, esse modelo foca em habilidades como perceber, usar, compreender e gerenciar emoções; Usa testes como o MSCEIT (teste de performance emocional); Rejeita promessas exageradas, como por exemplo “Inteligência emocional explica 85% do sucesso das pessoas” e defende que problemas emocionais têm respostas corretas ou incorretas, avaliadas por consenso ou por especialistas.

 


MODELOS MISTOS


Chamados de “mistos” porque misturam habilidades emocionais com traços de personalidade, motivação e competências sociais. A base teórica vem dos autores Daniel Goleman e Reuven Bar-On, os quais defendem que a inteligência emocional deve ser vista como um conjunto amplo de características pessoais, não apenas habilidades cognitivas. É aí que começa a ficar delicado, pois os componentes típicos dos modelos mistos são:


  • Autoconsciência;

  • Empatia;

  • Autocontrole;

  • Sociabilidade;

  • Persistência;

  • Zelo;

  • Otimismo;

  • Motivação;

  • Traços de personalidade.


Mas o problema não é só teórico. Na prática, quando esses modelos mistos são usados de má fé é onde mora o perigo, pois a “inteligência emocional” vira um rótulo para quase qualquer coisa: caráter, competência social, traço de personalidade, motivação, simpatia… Ou seja, deixa de ser uma inteligência mensurável e vira um pacote confuso de qualidades desejáveis. Goleman afirmou, por exemplo, que a inteligência emocional seria responsável por 85% do desempenho de líderes, mas depois reconheceu falta de evidências para essa afirmação e você sabe como é: depois que uma frase assim se populariza como verdade, é muito difícil desfazer o estrago.

 

Presta atenção no fim doa artigo...
Presta atenção no fim doa artigo...

Por fim...

...esses modelos não se baseiam em testes de habilidade, mas sim em questionários de autorrelato. Esses questionários não medem diretamente habilidades emocionais e podem fazer a pessoa se superestimar ou se subestimar, sendo duvidosos para avaliar o desempenho real.

 

Tabelinha para entender melhor:

Modelo

Natureza

Como é Medido

Críticas

Risco de uso indevido

Habilidade

Inteligência mental

Testes de desempenho

Mais científico, mais restrito

Menos apelativo comercialmente, mais difícil de distorcer

Misto

Traços + habilidades emocionais

Questionários de autorrelato

Mistura conceitos não intelectivos

Alto risco de simplificação e exageros

 

Sabendo disso tudo, a segunda coisa para não deixar que te enganem sobre inteligência emocional é... ter cuidado. Analise bem o que está sendo falado, como está sendo falado e quem está falando. Isso porque muitas pessoas que estudam psicologia ou desenvolvimento humano acabam querendo simplificar demais a inteligência emocional. Com essa simplificação, podem acabar “falando besteira”. Por outro lado, também podem estar dizendo coisas bacanas. Por isso: tome cuidado.


Por favor, as vezes você leu rápido e não entendeu direito... rs
Por favor, as vezes você leu rápido e não entendeu direito... rs

Não estou dizendo que quando quem diz que “inteligência emocional é saber conhecer suas emoções” está dizendo algo errado hein? Mas não se engane achando que é apenas isso. Como você conseguiu perceber aqui, vai muito além de apenas “manter a calma” ou “saber pensar antes de falar”. Por mais que ainda a ciência psicológica ainda não tenha bem definido o conceito de inteligência emocional e não tenha uma forma tão precisa de medida, seu estudo continua sendo realizado em inúmeras universidades e institutos.


Então, se a gente realmente quer entender essa “coisa” que chamamos de inteligência emocional, precisamos fazer duas coisas: respeitar os estudos que a investigam com seriedade e desconfiar de qualquer promessa fácil demais. Inteligência emocional não é só “manter a calma” nem só “conhecer suas emoções”. É uma forma de pensar e lidar com emoções que ainda está sendo estudada, refinada e debatida. E justamente por isso, merece cuidado—não slogans.

 

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