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medo de começar?

  • Foto do escritor: Nelson Polinário
    Nelson Polinário
  • 14 de jul.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 16 de jul.


Uma primeira postagem, um primeiro vídeo, um primeiro dia no trabalho ou na escola, o primeiro beijo, a primeira transa, o primeiro fim… Começar pode ser amedrontador, né? Ao mesmo tempo em que existe uma excitação num começo, existe também o medo. Afinal, começar algo é escolher deixar para trás inúmeras outras possibilidades que você não vai poder viver por ter escolhido o caminho escolhido.


Entrar por uma porta é deixar de entrar por milhares de outras portas...
Entrar por uma porta é deixar de entrar por milhares de outras portas...

Entretanto, existe o “pré-começo”: aquele momento em que você ainda não começou o que quer começar; o momento em que você ainda tem uma certa dúvida se é aquilo mesmo ou não; o momento em que todas as possibilidades ainda são possíveis — isso porque você ainda não escolheu um algo para começar. Pois bem, esse “pré-começo” é sedutor. Pode até ser considerado maravilhoso, porque nele ainda não deixamos nada de lado, ainda não perdemos as possibilidades não escolhidas. Mas é bem nele que coexiste a ansiedade, a angústia e a frustração.


Um momento que pode parecer estranho quando digo que pode ser maravilhoso, sedutor e ao mesmo tempo ruim, não é? E lhe digo: ele é tudo isso e até mais um pouco. Mas vamos nos ater a isso para não irmos muito longe aqui.


Não sei você, mas eu passei por isso — e estou passando agora mesmo enquanto escrevo esta frase. Pensando se é isso mesmo que eu quero escrever, se isso aqui é um bom começo para o primeiro conteúdo dessa minha nova fase… Um turbilhão. Mas sigo aqui, escrevendo.


Foi fácil? Não.

Foi rápido? (imagine eu rindo agora) Apenas uns dois anos.

Estou certo disso? Com certeza não.

Mas eu quero? Sim. Quero.


Dentre muitas coisas que quero na vida, essa é uma delas — e é uma que posso e consigo realizar agora. Escrever para você, para mim, para o mundo; me expressar para tentar me entender; e, quem sabe, no processo ajudar alguém. Isso é algo que definitivamente eu quero.


Então, se quero, decidi fazer.


Com isso tudo, você pode refletir aí: como você está enfrentando o seu “pré-começo” de algo adiado? Será que, já que você quer, que tal só fazer? Mesmo que seja diferente da sua imaginação, tente fazer algo e jogar para o mundo. Até porque nunca vai dar para ser perfeito (esse texto mesmo aqui não está sendo bem como eu imaginei…), mas pelo menos você terá saído do “pré-começo” e começado. É o que estou tentando fazer aqui: eu comecei.


Olha aí: se isso acontecer, o “medo de começar” nem fará mais sentido, porque afinal de contas você já terá começado.

O que acha?


Escrever este texto é, para mim, mais do que um exercício de coragem. É parte de um projeto maior — uma tentativa de entender um pouco mais sobre mim e sobre você. Como estudante de psicologia e artista a mais de 2 décadas, acredito que o autoconhecimento individual é também uma forma de fortalecer o coletivo. Sendo assim, cada reflexão que eu compartilho aqui nasce desse desejo: contribuir para que o processo de se entender — e de começar — quem sabe, seja menos solitário.


Começar posse ser duro, difícil, mas é isso um ato de humanidade. E se há algo que eu aprendi estudando e observando as pessoas, é que o medo de começar não é sinal de fraqueza — é sinal de consciência. Ele mostra que você percebe o peso das possibilidades, o impacto das decisões e o valor do que está por vir. Mas o medo não precisa ser o fim da história. Ele pode ser o início.


Então, se você está nesse “pré-começo”, talvez este texto possa ser o empurrão que faltava. Não para eliminar o medo, mas para lembrar que ele faz parte do processo. E que, quando você decide começar — mesmo tremendo — já está transformando algo dentro de si. O começo não é o oposto do medo. É o seu resultado.

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